HISTÓRICO

Em novembro de 2003, o Instituto de Química da UFBA e as Universidades públicas da Bahia (UNEB, UEFS, UESB e UESC) se uniram para submeter um projeto, coordenado pela Profa. Dra. Nídia Franca Roque, na chamada pública CT-INFRA/FINEP 04/2003 para a aquisição de um espectrômetro de Ressonância Magnética Nuclear de alto campo e a criação de um laboratório multiusuário, denominado Laboratório Baiano de Ressonância Magnética Nuclear (LABAREMN). O projeto foi aprovado com recursos no valor de R$ 1.582.500,00 com o qual foram adquiridos um equipamento INOVA 500 (VARIAN) e consumíveis (solventes deuterados, gases criogênicos e outros). Depois de vencidos todos os problemas para a construção de um laboratório, importação e instalação do equipamento, o LABAREMN começou a funcionar em novembro de 2008, sob a coordenação do Prof. Dr. Frederico Guaré Cruz. Em 21/03/2009, as atividades foram interrompidas devido ao incêndio ocorrido no Instituto de Química (UFBA). Graças a uma verba emergencial liberada pela FAPESB (Projeto 6835/2009 – Reparo do Equipamento de Ressonância Magnética Nuclear INOVA 500, R$ 211.775,00), o espectrômetro foi recuperado das avarias sofridas e voltou a funcionar em 21/09/2010.

O LABAREMN está localizado no primeiro andar do Instituto de Química (UFBA) e ocupa uma área de 36 m2.

O laboratório é dirigido por um coordenador, atualmente é a Profa. Dra. Elisangela Fabiana Boffo (Departamento de Química Orgânica do IQ/UFBA), e um comitê científico formado por usuários de quatro Universidades baianas, a saber, Profa. Dra. Angélica Maria Lucchesi (Universidade Estadual de Feira de Santana), Profa. Dra. Vanderlúcia Fonseca de Paula (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia), Profa. Dra. Rosilene de Oliveira (Universidade Estadual de Santa Cruz) e Prof. Dr. Edson de Jesus Marques (Universidade do Estado da Bahia). Este comitê científico é responsável pela política de realização de análises do laboratório, como também pela obtenção de recursos para manutenção.

Prof. Frederico Guaré Cruz, Prof.ª Nídia Franca Roque, Prof.ª Elisangela Boffo e Heiter Boness.

O LABAREMN visa à aplicação das diferentes técnicas de RMN na determinação estrutural de substâncias que apresentam interesse científico nos diversos campos da ciência.

Na aplicação dessas técnicas são atendidos pesquisadores que atuam em diversas linhas de pesquisa entre as quais destacam-se: Química de Produtos Naturais, Síntese Orgânica, Síntese Organometálica, Polímeros, Catálise, Bioquímica, Análise de Peptídeos – Proteoma e Ciência dos Materiais. Mais especificamente, são realizadas análises de produtos dos metabolismos primário (proteínas, carboidratos, triglicerídeos, etc.) e secundário, compostos organometálicos, sendo utilizado ainda nos estudos da relação estrutura-atividade, nos estudos de determinação de mecanismos de ação farmacológica, no estudo do metabolismo de diversas drogas, estudo da variação do perfil químico de plantas medicinais entre outros.

Ter um laboratório como esse sempre foi uma aspiração dos grupos de pesquisa da Bahia que atuam nas linhas de pesquisa descritas.

Ao lado de alguns grupos consolidados, muitos outros grupos em consolidação e emergentes têm-se instalado em nossas Universidades, principalmente pelo apoio que têm recebido do Programa de Fixação de Novos Doutores e dos Programas de Qualificação Docente. Para muitos desses grupos, a técnica de RMN é indispensável na caracterização dos novos compostos descobertos de fontes naturais ou produzidos por síntese. É imprescindível ter no Estado um Laboratório de Ressonância Magnética Nuclear com capacidade de realizar as análises espectroscópicas mais modernas. Além do impacto causado na pesquisa, proporcionando aos pesquisadores maior rapidez e confiabilidade na obtenção de dados, houve um forte impacto na formação de recursos humanos proporcionando aos alunos de Iniciação Científica, de Mestrado e de Doutorado treinamento e especialização na utilização de técnicas espectroscópicas modernas. A utilização do LABAREMN trouxe ganho de quantidade e qualidade às pesquisas realizadas servindo, inclusive, como polo de atração de mais pesquisadores qualificados, bem como uma maior e mais qualificada interação dos pesquisadores com o setor produtivo e outros setores da sociedade. Em 2013 o espectrômetro apresentou alguns problemas principalmente relacionados aos experimentos bidimensionais e giro da amostra e uma manutenção foi realizada em abril de 2014 sem interromper a aquisição de dados e com recursos da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da UFBA. Em maio de 2015 o equipamento parou de funcionar, apresentando defeito na placa mãe da workstation, sendo que os recursos para a aquisição de nova workstation foram obtidos em novembro de 2015 graças ao esforço do Diretor do Instituto de Química, Prof. Dr. Dirceu Martins, junto ao pró-reitor de Pesquisa e Pós- graduação da UFBA, Prof. Dr. Olival Freire. Durante a visita do técnico da Agilent, João Carlos Souza, realizada em janeiro de 2016, foi verificado que algumas placas do console também estavam danificadas, por isso o equipamento permaneceu sem realizar experimentos até a aprovação e liberação dos recursos de um projeto aprovado no Edital PROPCI-PROPG/UFBA 02/2016 – Apoio à Manutenção de Equipamentos Multiusuários, sendo que a manutenção foi realizada entre 17 e 20/01/2017. Durante a manutenção, o técnico fez uma avaliação geral no equipamento e verificou que a sonda direta (utilizada para a realização de todos os experimentos, incluindo os de 13C) estava danificada e necessitava de reparos, por isso passou a ser usada a sonda indireta (os experimentos são adquiridos no canal do hidrogênio, por isso os experimentos bidimensionais serão priorizados em relação aos de 13C). Além disso, para obter um bom funcionamento do espectrômetro foi necessário fazer manutenção dos periféricos (nobreak, compressor e secador de ar) assim como a substituição dos elementos filtrantes. Enquanto aguardava a liberação de recursos para realizar a manutenção, o espectrômetro permaneceu sendo abastecido com os líquidos criogênicos (hélio e nitrogênio), uma vez que o seu campo magnético precisa ser mantido estável. Os custos anuais para isso giram em torno de R$ 40.000,00 para o hélio líquido e R$ 15.000,00 para o nitrogênio líquido. Pensando nisso, a Associação de Usuários de Ressonância Magnética Nuclear (AUREMN) buscou junto ao CNPq um apoio emergencial para a compra desses criogênicos para atender somente à laboratórios ou centros de pesquisa em Ressonância Magnética (Nuclear) e com isso lançou no início de 2016 o “Edital AUREMN para Apoio Emergencial para Aquisição de Hélio e Nitrogênio Líquidos para Espectrômetros de Ressonância Magnética (Nuclear) no Brasil”. O LABAREMN conseguiu financiamento para a aquisição de quatro cargas de hélio líquido.Em agosto de 2017 foi aprovado um projeto no âmbito da Chamada Pública MCTI/FINEP/FNDCT – Ação Transversal – Apoio Institucional – 03/2016 (Apoio Financeiro a Instituições de Pesquisa nas Diversas Áreas de Conhecimento em Todo o Território Nacional), sendo que esses recursos permitiram adquirir novos periféricos (compressor e desumificador de ar, nobreak, dewar de nitrogênio, entre outros) e está custeando a compra dos criogênicos (hélio e nitrogênio).

O espectrômetro de RMN realiza análises 24 horas por dia, inclusive aos sábados, domingos e feriados, sendo que desde o início do funcionamento até maio de 2015 foram analisadas 3.195 amostras dos usuários que utilizaram, em maior ou menor grau, suas facilidades para a obtenção de espectros uni e bidimensionais de RMN. Em 2017 iniciamos um processo de recadastramento dos usuários, uma vez que muitos deles mudaram de instituição, se aposentaram, deixaram de usar o equipamento, etc. Além disso, era necessário obter informações como teses/dissertações defendidas e trabalhos publicados para justificar a manutenção do espectrômetro.